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sábado, 24 de novembro de 2012

HISTÓRIA - A GIRAFA VAIDOSA

Havia uma girafa muito vaidosa e muito esquisita naquilo que comia. Uma folha era muito pequena, outra era muito amarela e outra ainda já tinha sido trincada por uma lagarta. Umas tinham picos e eram picantes, e outras eram rijas que nem com dentes de elefantes. Pobre girafa, demorava tanto tempo a comer que nunca podia ir brincar com os seus amigos da selva. O macaco Tobias, com pena da sua amiga, foi falar com ela. - Eu vou-te fazer o teu prato de folhas, e só vou escolher as mais deliciosas. Mas tens de por uma venda nos olhos. A girafa achou a brincadeira engraçada e aceitou. Pôs a venda nos olhos e rapidamente comeu o prato de folhas feito pelo macaco Tobias. - Viste como comeste rápido (disse o macaco). E agora vou- te dizer a maior surpresa. As folhas do teu prato não foram escolhidas, mas apanhadas à sorte. Como vês, gostaste e ganhaste tempo para brincar connosco. A girafa ficou tão contente que deu um salto tão alto que até deu uma cabeçada na lua, e ao descer passou pelas nuvens e ficou com as orelhas cobertas de neve. Agora na selva a girafa come de tudo e tem imenso tempo para participar com os seus amiguinhos da selva. Fim

quarta-feira, 13 de junho de 2012

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº22 "v" VEADO

DESENHOS PARA COLORIR VEADO STAG CIERVO ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين As Hastes do Veado Vaidoso As Hastes do Veado Vaidoso António Torrado escreveu Cristina Malaquias ilustrou Era uma vez um veado que tinha em grande apreço as suas hastes recortadas, que lhe davam à cabeça um ar de majestade. Quando ia dessedentar-se no lago, tanto bebia como se mirava. - Que gloriosos chifres os meus! Nenhum animal de cornos os tem tão formosos. Em contrapartida, as patas delgadinhas desgostavam-no. Debruçado para a água, comparava-as com a volumosa e artística cornadura, e dizia: - As minhas pernas estão desproporcionadas com os outros extremos do meu corpo. Não fossem elas assim tão estreitas e eu seria o mais elegante dos animais. Nisto, o veado ouviu, não longe, o uivo de trompas de caça. Ele sabia o que aquela música significava. Fugiu. Caçadores a cavalo perseguiram-no. Corriam os cavalos a galope e corria o veado, com quantas pernas tinha. Ágeis, as pernas, no arremesso do medo, saltavam barrancos, venciam precipícios, quase voavam. O veado só pedia que o vigor das pernas não o abandonasse. Mas, num túnel de ramos, os galhos do veado embaraçaram-se nos troncos e suspenderam-lhe a corrida. Já se aproximavam os cavaleiros. Os belos chifres estavam a deitá-lo a perder. Sentindo-se perdido, o veado deu um sacão ao corpo e metade de um chifre, que estava preso, partiu-se. Deixá-lo. O veado livrou-se. As pernas retomaram a fogosa carreira da salvação e o veado conseguiu escapar dos caçadores. Já livre de perigo, o veado pôs-se a pensar no que lhe sucedera. As pernas, que ele há pouco desprezava, tinham-no salvo. As hastes da sua vaidade por pouco que não o atraiçoavam.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº21 "U" URSO


DESENHOS PARA COLORIR URSO BEAR МЯДЗВЕДЗЬ OURS ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين









O urso com insónias

Era uma vez um urso de peluche que não conseguia dormir sem uma menina chamada Teresa, abraçada a ele.
Um dia, a menina chamada Teresa foi de férias e esqueceu-se do urso de peluche em casa.
O pobre do ursinho passou a noite em branco.
À segunda noite, ainda tentou pedir a uma boneca, das muitas que a menina não tinha levado na bagagem, se não se importava, isto é, se não via inconveniente, ou melhor, se não lhe fazia diferença que ele se aconchegasse a ela. Claro que não era a mesma coisa, mas talvez resultasse.
Tentou pedir, esboçou uma conversa sem propósito, mas não passou disso. Teve vergonha de formular o pedido, embaraçou-se nas palavras requeridas e passou outra noite de insónia. A boneca nem chegou a perceber o que ele realmente queria.
Na terceira noite, de olhos a arder, o urso de peluche cabeceou de sono, mas não conseguiu dormir como deve ser. Faltava-lhe a menina, a respiração da menina, o perfume da menina, os cabelos da menina, a comicharem-lhe o nariz. Ah, se ele soubesse para onde é que ela tinha ido!
À quarta noite...
Não, não vamos fazê-lo sofrer mais.
Antes da nova noite de espertina que se anunciava, o pai de Teresa entrou no quarto, agarrou no urso de peluche e meteu-o na pasta. Para onde era a viagem? Já se calcula.
Quando o pai chegou à casa de férias e tirou o ursinho da pasta, foi uma alegria.
- Vamos lá ver se, daqui para a frente, adormeces sem rabujar - disse ele para a menina, que se abraçava ao urso de peluche como se fosse uma prenda nova.
- Não faz sentido que continues sempre presa ao teu urso de peluche - continuou o pai. - Tu vais crescer e, qualquer dia, tens de aprender a dormir sem o ursinho.
- Nunca - exclamou a menina.
"Nunca", teria dito o ursinho, se não fosse tão envergonhado.
Claro que a menina cresceu e provou-se que o pai tinha razão, mas isso já faz parte de outra história e esta tem de acabar aqui e bem.
António Torrado
escreveu

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº20 "T" TARTARUGA


DESENHOS PARA COLORIR TARTARUGA TURTLE 거북이 TORTUGA SKÖLDPADDA ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين








A tartaruga e a raposa

António Torrado
escreveu

Cristina Malaquias
ilustrou
A raposa estava sempre a troçar da tartaruga:
- És tão feia, tão ridícula, tão lenta, tão preguiçosa. Metes-me nojo.
A tartaruga aturava estas falas, sem lhes dar resposta. Andava à sua vida, vagarosa como sempre, embora lá por dentro o coração batucasse muito depressa, sentido e revoltado.
- Pareces uma pedra com pernas. Tens uma cabeça de lagarto. Ninguém seria capaz de imaginar um monstro como tu - dizia-lhe a raposa, passando por ela de raspão.
Tanta calúnia custa a suportar. A paciência também se esgota. Eu, se fosse à tartaruga, repontava.
Até parece que ela me ouviu, porque, um dia, depois de não sei quantas mais provocações da raposa, a tartaruga levantou a cabeça e do rés-do-chão falou assim para a impertinente:
- Eu lutar contigo não luto, mas desafio-te para uma corrida, já que te gabas de ser tão rápida.
Aquela que primeiro chegar a casa ganha e acabou-se a conversa.
O macaco, que era um intrometido e tudo isto ouvira do alto de uma árvore, saltou para o meio das duas e ofereceu-se:
- Eu quero ser o juiz da corrida.
Aceite por ambas, o macaco anunciou:
- Vou dar o sinal de partida. Um... dois... e três!
Correu a raposa, de focinho afilado, em direcção à toca. Ia cá com uma mecha.
A tartaruga, por sua vez, limitou-se a encolher-se dentro da casca. Nem as patas deixou de fora.
- Ganhou a raposa - gritou o macaco.
Protestos da tartaruga, no cavo abobadado da carapaça:
- Mas eu já estou em casa. A minha casa, como a do caracol, anda sempre comigo.
Os bichos da floresta, que se tinham acercado para assistir à corrida, apoiaram a tartaruga.
Pressionado pelo tumulto do público, o árbitro macaco também teve de reconhecer que ela é que tinha razão. E foi proclamada a vencedora.
A raposa, de emplumada cauda a arrastar a sua humilhação, ela que se considerava a mais inteligente da floresta, calou-se. Até ver...

FIM

A lebre e a tartaruga



segunda-feira, 20 de junho de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº19 "S" SAPO E RÃ




DESENHOS PARA COLORIR SAPO RÃ FROG RANA ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين












A maior de todas as rãs

António Torrado
escreveu

Cristina Malaquias
ilustrou
Dizia-se a maior rã de todas as rãs que havia no mundo. Realmente, era grande. Grande e luzidia, no charco onde habitava, mais nenhuma bicheza se lhe comparava em tamanho. Também, para além da rãs, só havia mosquitos.
- Sou o maior bicho do reino animal - dizia a rã gorda, que nunca tinha saltado para fora daquele charquinho de nada, nem uma única vez.
As outras rãs não quiseram contrariá-la. Também eram pouco viajadas.
- Além de ser o maior bicho do reino animal, sou o mais forte, o mais corajoso, o mais bonito, o mais inteligente, o mais...
Quando ela se punha com esta discursata, adeus. As outras rãs mergulhavam, para não terem de ouvi-la.
Até que, um dia, foi beber ao charco um boi. A sombra dele toldou o Sol.
- Venha ver, colega, um bicho tamanhão, mil vezes maior do que a sua gabarolice - disseram à rã matulona as colegas rãzinhas, a estremecerem de riso.
Ela já o tinha visto, mas fez de conta que não ligava.
- Se eu quiser, fico do tamanho dele ou até maior - disse. - O meu volume está muito concentrado, querem ver?
As outras queriam. Puseram-se à roda dela, a gritarem:
- Cresça e apareça. Cresça e apareça.
A rã gorda fez-lhes a vontade. Engoliu ar e a pele do ventre distendeu-se.
- Mais, mais - gritaram as outras rãs, como se estivessem num circo.
Ela inspirou mais e mais, que até parecia uma câmara de ar ou um colchão de praia.
- Ainda mais - incitavam-na as colegas.
A rã já tinha a forma de um balão. Nada que se parecesse com um boi, mas nunca se vira rã tão batoque como ela.
Tinha a pele de tal forma esticada que se lhe via tudo por dentro.
- Mais, mais - gritavam as outras.
E ela, naquela vontade de ser maior do que um boi, engoliu mais ar, tanto, tanto que rebentou. Pum!
O boi assustou-se e fugiu. As rãs enfiaram-se para dentro de água, nem que tivesse acabado o mundo.
Quando a calma regressou ao charco, voltaram à superfície, numa grande excitação. Não falavam de outra coisa senão daquela rã presumida que quisera igualar-se a um boi.
Ainda hoje é a conversa preferida das rãs, quando coaxam umas com as outras, em noites de Lua Cheia.

O Sapo não lava o pé

segunda-feira, 2 de maio de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº12 "R" RATO




DESENHOS PARA COLORIR RATO MOUSE RAT
الفأر大鼠 RATA ラット КРЫСЫ ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين








HISTÓRIA: O rato Ratolas

O rato Ratolas

António Torrado
escreveu

Cristina Malaquias
ilustrou


Era uma vez um rato, chamado Ratolas, que se julgava mais que os outros - os outros animais rasteiros da sua condição ou aproximados.

Ratos, ratazanas, toupeiras, doninhas, ouriços, lagartixas e restante pessoal do mundo subterrâneo ou rente à terra, nunca lhe ouviram um "Olá, como vais tu?", porque o Ratolas não prestava atenção aos insignificantes bichos seus iguais.

Ele só se dava com a alta, com os bicharocos grossos e pernaltas, girafas, leões, elefantes, rinocerontes, hipopótamos e outros que tais matulões.
Um dos amigos era o elefante. Que montanha ondulante, bamboleante o elefante! Que gigante!
- Psst! - chamava o ratinho - Olá, amigo!

Então passa e não fala?
- Não fala? - intrigava-se o elefante - Não fala a quem? Quem me fala?
- Sou eu, o Ratolas. Estou aqui, em cima desta pedra, em bicos de pés. Então não me vês?
- Agora vejo. Como tens passado, aí por baixo?
O Ratolas respondia que sim, que passava bem, muito obrigado.

Soprava mais umas coisitas sem importância e, depois, calava-se. Conversas destas nunca podiam ser muito longas, porque o rato depressa ficava com a garganta seca de tanto se esganiçar. Então, o elefante dizia-lhe adeus e lá continuava nas suas graves passadas, que abalavam a floresta.

Uma vez, os elefantes deram uma festa. O Ratolas não tinha sido convidado, mas se ele era quase da família, porque não havia também de ir?

Arranjou uma noz para cada elefante, embrulhadas numa folhinha, à maneira de presente, o que era simpático, e carregou com tudo até à clareira da floresta, para onde estava marcada a reunião.
Demorou que tempos pelo caminho, porque levava carga pesada. Quando chegou, já a festa ia em meio.

- Resolvi trazer-vos uma prenda - começou o ratito, na orla da clareira.
Mas ninguém o ouvia. Os elefantes estavam a dançar. Estremeciam as árvores da raiz à copa, estremecia a floresta de ponta a ponta, estremecia o continente, estremecia a Terra. Elefantes a dançar - zumba-pumba-zumba - imaginem!

Adiantou-se um passo o Ratolas:
- Trago-vos um presente, uma pequena lembrança...
Mas a dança, que era de truz, abalava tudo. Abalava tudo e tanto que as nozes rolaram pelo chão. Foi o Ratolas apanhá-las, mas não fosse ele tão rápido nos movimentos e a história acabava mesmo aqui.

Acabava mesmo aqui, o que era um pena. Por pouco que o ratinho Ratolas não ficou esmagado debaixo da pata de chumbo de um dos elefantes matulões. Escapou-se por uma unha limpa.
Escapou-se, voltou costas aos elefantes, à clareira da festa e regressou à sua toca, pensativo.

Pelo caminho, encontrou uma lagartixa e cumprimentou-a:
- Como tem passado, senhora lagartixa? Que tal vai de comidinha?
Mais adiante cruzou-se com um esquilo:
- Que belo dia, amigo esquilo. Saúde e sorte é o que lhe desejo.
Estava mudado, não havia dúvida, o ratinho Ratolas.

Mickey - O Carro Novo do Mickey

terça-feira, 5 de abril de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº12 "Q" QUA QUA FAZ O PATO


DESENHOS PARA COLORIR PATO DUCK CANARD EEND BEBEK アヒル УТКА КАЧКА
; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين










O Papagaio bem ensinado

António Torrado
escreveu

Cristina Malaquias
ilustrou


Era um papagaio muito bem ensinado. Tinha poiso à porta de uma mercearia. De uma vez que o merceeiro estava lá para dentro, um freguês, por pirraça, ensinou o papagaio a dizer: "Está tudo podre".
E o papagaio, de aí em diante, não disse outra coisa. O anúncio, lançado aos quatro ventos, afastava a clientela.

Mal chegava alguém ao balcão da mercearia, o papagaio avisava:
- Está tudo podre.
Ficava furioso o merceeiro:
- Este papagaio leva-me à ruína - dizia o merceeiro. - Tenho de dá-lo.
E assim fez. Deu-o a um barbeiro.

Por sinal, o tal malandrote, que convencera o papagaio a dizer "Está tudo podre", também frequentava a barbearia. À socapa, ensinou-o a dizer: "Corta-lhe a orelha".
O papagaio passou a repetir. Por tudo e por nada, assim que o cliente se sentava na cadeira, o papagaio pedia:
- Corta-lhe a orelha.

Isto enervava o barbeiro e enervada o barbeado.
- Tenho de ver-me livre deste animal - disse o barbeiro.
E atirou-o pela janela. Mas o papagaio, que não estava habituado à liberdade, voltou a poisar no parapeito.

Isto uma, duas, três vezes, até que o barbeiro, já exasperado com a teima do passaroco, foi buscar uma caçadeira e deu uns tiros para o ar, só para afugentá-lo, enquanto gritava:
- Rua! Rua!
O papagaio esvoaçou, a princípio atarantado, mas depressa ganhou altura e voou feliz. Passado muito tempo, foi ter a um armazém em ruínas.

Cansado da viagem, acolheu-se a um recanto protegido e adormeceu.
Ora o armazém era frequentado, à noite, por duas quadrilhas de contrabandistas e ladrões, que aí faziam as suas trocas e baldrocas.

Estavam os membros das duas quadrilhas a descarregar e a carregar fardos, quando o papagaio, acordado com o barulho, soltou o aviso, ainda trazido do sonho e das suas recordações:
- Está tudo podre.
- Quem é que disse que está tudo podre? - perguntou o chefe de um dos bandos.

Nisto, ouviu-se uma voz a gritar:
- Corta-lhe a orelha.
Pior ainda. Armou-se uma zaragata entre os dois grupos, em que ninguém ficou de fora.
Então, o papagaio, assustado, lembrou-se dos tiros da caçadeira com que o último dono o afugentara.

Deu-lhe para reproduzi-los, enquanto imitava também a voz do barbeiro:
- Rua! Rua!
Os bandidos, assim que ouviram os disparos, saltaram de medo, supondo que era a polícia. Fugiram todos, rua fora, largando tudo.
O papagaio bem ensinado acertara, ao menos uma vez, no que dizia.



A Mina de Ouro do Pato Donald

sábado, 12 de março de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº12 "P" PAPAGAIO


DESENHOS PARA COLORIR PAPAGAIO MACAW ARA GUACAMAYO μακώ コンゴウインコ ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين










HISTÓRIA DE UM PAPAGAIO

O Papagaio bem ensinado

António Torrado
escreveu

Cristina Malaquias
ilustrou


Era um papagaio muito bem ensinado. Tinha poiso à porta de uma mercearia. De uma vez que o merceeiro estava lá para dentro, um freguês, por pirraça, ensinou o papagaio a dizer: "Está tudo podre".
E o papagaio, de aí em diante, não disse outra coisa. O anúncio, lançado aos quatro ventos, afastava a clientela.

Mal chegava alguém ao balcão da mercearia, o papagaio avisava:
- Está tudo podre.
Ficava furioso o merceeiro:
- Este papagaio leva-me à ruína - dizia o merceeiro. - Tenho de dá-lo.
E assim fez. Deu-o a um barbeiro.

Por sinal, o tal malandrote, que convencera o papagaio a dizer "Está tudo podre", também frequentava a barbearia. À socapa, ensinou-o a dizer: "Corta-lhe a orelha".
O papagaio passou a repetir. Por tudo e por nada, assim que o cliente se sentava na cadeira, o papagaio pedia:
- Corta-lhe a orelha.

Isto enervava o barbeiro e enervada o barbeado.
- Tenho de ver-me livre deste animal - disse o barbeiro.
E atirou-o pela janela. Mas o papagaio, que não estava habituado à liberdade, voltou a poisar no parapeito.

Isto uma, duas, três vezes, até que o barbeiro, já exasperado com a teima do passaroco, foi buscar uma caçadeira e deu uns tiros para o ar, só para afugentá-lo, enquanto gritava:
- Rua! Rua!
O papagaio esvoaçou, a princípio atarantado, mas depressa ganhou altura e voou feliz. Passado muito tempo, foi ter a um armazém em ruínas.

Cansado da viagem, acolheu-se a um recanto protegido e adormeceu.
Ora o armazém era frequentado, à noite, por duas quadrilhas de contrabandistas e ladrões, que aí faziam as suas trocas e baldrocas.

Estavam os membros das duas quadrilhas a descarregar e a carregar fardos, quando o papagaio, acordado com o barulho, soltou o aviso, ainda trazido do sonho e das suas recordações:
- Está tudo podre.
- Quem é que disse que está tudo podre? - perguntou o chefe de um dos bandos.

Nisto, ouviu-se uma voz a gritar:
- Corta-lhe a orelha.
Pior ainda. Armou-se uma zaragata entre os dois grupos, em que ninguém ficou de fora.
Então, o papagaio, assustado, lembrou-se dos tiros da caçadeira com que o último dono o afugentara.

Deu-lhe para reproduzi-los, enquanto imitava também a voz do barbeiro:
- Rua! Rua!
Os bandidos, assim que ouviram os disparos, saltaram de medo, supondo que era a polícia. Fugiram todos, rua fora, largando tudo.
O papagaio bem ensinado acertara, ao menos uma vez, no que dizia.



Papagaio Loiro

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS Nº11 "M" MACACO


DESENHOS PARA COLORIR MACACO APE القرد 超支 ΑΠΕ MONKEY エイプ ; DESIGNS FOR COLOR ; DESSINS POUR LA COULEUR ; Entwürfe für Farbe ; 外觀設計著色 ; ΣΧΕΔΙΑ ΧΡΩΣΤΙΚΕΣ ; ONTWERPEN COLORING ; DESAIN Mewarnai ; デザインぬりえ ; ПРОЕКТЫ раскраски ; ПРОЕКТИ розмальовки ; TASARIMLAR BOYAYICI ; MALLIOIKEUS Coloring ; Diseños de color ; والنماذج التلوين








O macaco Umbelino

António Torrado
escreveu

Cristina Malaquias
ilustrou


Vocês conhecem a história daquele macaco que do rabo fez navalha, da navalha fez sardinha, da sardinha fez farinha, da farinha fez menina, da menina fez viola, frum-frum-frum e foi para Angola? Claro que conhecem.
Pois o macaco mariola, que por sinal se chama Umbelino, escreveu-me há tempos, a dar notícias. E que notícias!

As aventuras por que ele tem passado davam um filme. Para já, soube que não se tinha ficado por Angola.
Andou a conhecer o resto de África, não como turista, mas como macaco. Macacos é o que mais há em África, embora com viola às costas, pelo meio da selva, não seja muito frequente.

Talvez tenha sido por isso, para não dar nas vistas, que ele abandonou a música. E, ao fim de calcorrear muita terra, empregou-se, já não sei onde, como criado de mesa.
De casaca lustrosa, calças de risquinha, muito bem vincadas, meias de seda e sapatos de polimento, o macaco Umbelino era um criado de mesa impecável.

Não fosse ele tão bem mandado, que talvez ainda hoje estivesse a servir no mesmo hotel, como chefe de mesa, sabe-se lá...

Mas calculem que, um dia, ouviu um cliente, a quem acabara de entregar a conta do jantar, dizer, muito espantado com o preço:
- Este dinheiro todo por uma comida fria e sem graça, em que mal toquei. Parece impossível. Macacos me mordam, se percebo isto.

O Umbelino, que era macaco e obediente, ao ouvir aquilo dos macacos me mordam, mordeu. Foi o cliente tratar-se ao hospital e foi ele posto na rua. E depois?
Depois, um dia destes, conto mais histórias do macaco Umbelino. Ele, de vez em quando, escreve-me.

Tem uma letra um bocado esquisita, parecem macacos à solta, mas eu entendo-o. Aliás, devo ser o único que entende as cartas do macaco Umbelino.


Panda vai à escola - Os 5 macacos